Quando comecei a trabalhar na Bolsa me contaram que o Aron estava saindo para tratar-se de um câncer. Nunca cheguei a dizer mais do que um bom dia para ele, mas pude ver como os amigos se importavam. A preocupação estampada em seus rostos a cada notícia que chegava.

Por conta de amigos em comum eu acabei me interando, mesmo que de forma distante, de seu drama.

Comecei a acompanhar seu blog (http://aronpaiva.blogspot.com) e conforme o tempo foi passando realmente comecei a me preocupar com ele, a buscar saber o que acontecia. Não, não me tornei seu amigo, continuei sem conversar com ele, mas não se tratava mais de um estranho.

Comentei isto no almoço com alguns amigos e todos me disseram que já mantiveram está “amizade” com alguém que nunca viram. Essa capacidade humana de sentir empatia pelo que acontece com seu semelhante poderia ser muito melhor aproveitada pela sociedade. Em vez de dramas “mundo cão” que a TV transmite ela poderia nos tornar próximos de histórias das quais podemos participar, ajudar e aprender.

Posso dizer que aprendi um bocado com a coragem do Aron ao divulgar o que lhe acontecia e como ele lidou com esta cruel doença.

Recebi ontem a notícia de que ele havia falecido e isto ficou martelando na minha cabeça. Por que eu estava tão triste por uma pessoa com a qual nunca troquei nem um e-mail?